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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

Educação

De mãos dadas com o futuro: Educação Precoce transforma a vida de crianças no DF

Criado em 1987, o Programa de Educação Precoce da rede pública já acolheu milhares de bebês com necessidades especiais, como as gêmeas siamesas Lis e Mel, que hoje surpreendem com avanços cognitivos e motores após superarem uma separação cirúrgica histórica

Mariana Belfort
Por Mariana Belfort
De mãos dadas com o futuro: Educação Precoce transforma a vida de crianças no DF
Joel Rodrigues/Agência Brasília
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A notícia de que estava grávida de gêmeas siamesas unidas pela cabeça abalou a farmacêutica Camilla Vieira, à época com 23 anos. Os desafios eram inúmeros e prevalecia a incerteza em relação à qualidade de vida e ao desenvolvimento motor-cognitivo das duas meninas. No entanto, para felicidade de Camilla e de todos que acompanham a história de Lis e Mel, os temores não se concretizaram.

Hoje com 6 anos, as meninas passaram pela cirurgia de separação em 2019, quando tinham 11 meses de idade, na rede pública de saúde do Governo do Distrito Federal (GDF). Pouco depois, mais uma alegria para a família: as irmãs foram inseridas no Programa de Educação Precoce (PEP), promovido pela Secretaria de Educação (SEEDF).

“A educação precoce foi incrível para a gente. Elas estavam começando a andar, então teve o cuidado com a parte motora, além da educação em si, que ajudou com a fala. Teve um impacto muito grande no crescimento delas”, relembra Camilla. O acompanhamento semanal ocorreu no Centro de Ensino Especial 01 (CEE 1) de Ceilândia. Lis e Mel entraram com 1 ano e meio, sendo liberadas aos 3 anos. Atualmente, cursam a primeira etapa do ensino fundamental normalmente.

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Camilla afirma que a inserção no programa foi essencial para o progresso das duas. “É ótimo ver que elas estão conseguindo acompanhar a turminha, que inclusive estão indo além. Estão agora no primeiro ano, quando começa a alfabetização, mas elas já sabem ler. É um conforto para o coração da mãe”, celebra. “Fizemos tudo no GDF. O acompanhamento cirúrgico, a cirurgia e a educação delas. Eu soube do programa depois da cirurgia e foi uma das melhores coisas para as meninas, sempre recomendo para outras pessoas”.

Criado em 1987, o Programa de Educação Precoce oferece atendimento educacional especializado para crianças de até 3 anos e 11 meses com necessidades educacionais específicas. São atendidos bebês com hipótese diagnóstica de deficiência, bem como transtorno do espectro autista, com altas habilidades e consideradas de risco – como prematuras, pós-maduras e filhos de mães diabéticas –, entre outros casos. Atualmente, mais de quatro mil crianças estão matriculadas na modalidade, que está disponível em 22 unidades da rede pública, distribuídas nas 14 regionais de ensino.

"No Distrito Federal nós temos um compromisso de décadas em ofertar o Programa de Educação Precoce para atendimento educacional a bebês e crianças até 3 anos e 11 meses que precisam de um suporte educacional diferenciado para seu desenvolvimento. É um trabalho que envolve a família e reflete nosso esforço para garantir a inclusão desde os primeiros anos de vida, em todo o DF”, afirma a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral, Vera Lúcia Ribeiro de Barros.

Esforço conjunto

O Centro de Ensino Infantil 04 de Taguatinga recebe 219 crianças no Programa de Educação Precoce desde 2006. “São atendidas crianças com deficiência, prematuridade ou ainda com algum risco social, que são adotadas ou estão abrigadas em alguma instituição. As crianças têm atendimento duas vezes na semana, às vezes com horários duplos ou triplos, cada um com 50 minutos, dependendo da idade e da necessidade”, explica a diretora do CEI 04, Sabrina Marques Oliveira.

O acompanhamento é feito por dois professores, um de educação física voltada para o desenvolvimento motor do estudante e um pedagogo, que cuida da parte cognitiva. “É um trabalho que se encontra, se entrelaça”, enfatiza a diretora. “Traçamos uma estratégia para a necessidade da criança e trabalhamos de acordo com isso. E é uma parceria entre a escola e a família. Nós fazemos aqui e a família complementa em casa com a repetição – precisa desse vínculo. E as crianças saem preparadas para o ensino regular”.

Assim como Camilla, a professora Karolina Bandeira, 39, também agradece o cuidado com o desenvolvimento dos filhos. Ela é mãe de cinco crianças, das quais três estão inseridas no programa no CEI 04 de Taguatinga. O pequeno Samuel, 3, entrou devido à dificuldade na fala, enquanto as gêmeas Ana e Maria, 2, começaram por conta da prematuridade. Além disso, Maria tem paralisia cerebral.

Os avanços surgiram logo nos primeiros encontros. “Elas começaram com 3 meses de vida. E desde o início a gente percebeu que elas estavam se interessando mais pelas atividades, estavam mais atentas, além do ganho motor”, celebra Karolina, que acrescenta que a fala de Samuel também se desenvolveu com rapidez. A professora também é mãe dos estudantes Catarina, 9, e Miguel, 7.

Mariana Belfort

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Mariana Belfort

Mariana Belfort é jornalista com registro MTB/MTE 14338-DF. Apartidarismo, imparcialidade crítica e independência jornalística são preceitos básicos que norteiam sua conduta profissional e pessoal

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