O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, de forma unânime, rejeitar o recurso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que pedia a anulação de uma condenação por improbidade administrativa. A decisão mantém o político inelegível até 2032 e, com isso, fora das eleições de 2026 — um baque para quem ensaiava mais um retorno ao jogo político.
E o inferno de Arruda continua fervendo. Em decisão tomada no último dia 16 de outubro, os ministros do STJ bateram o martelo: não há como apagar a mancha da condenação por improbidade administrativa relacionada aos contratos superfaturados com a empresa Linknet Tecnologias e Telecomunicações, durante seu mandato à frente do Palácio do Buriti.
A condenação — que já havia tornado o ex-governador inelegível por 8 anos — permanece de pé, com efeito direto sobre qualquer pretensão de disputar as eleições de 2026. Na prática, Arruda fica de fora até 2032, a não ser que ocorra uma reviravolta improvável no entendimento da Justiça Eleitoral.
No recurso, a defesa de Arruda, liderada pelo advogado Paulo Emílio Catta Preta, argumentou que a condenação estaria baseada em uma prova considerada ilícita: a famosa gravação do delator Durval Barbosa, anulada anteriormente pela Justiça Eleitoral. Mas o STJ foi claro ao afirmar que havia muito mais no processo: testemunhos, documentos, vídeos, auditorias. Prova é o que não faltava.
A decisão do tribunal também foi categórica ao rejeitar o pedido para reavaliação das provas. Segundo os ministros, essa análise cabe às instâncias inferiores, não ao STJ.
A história remete ao já conhecido escândalo da Caixa de Pandora, que em 2009 abalou as estruturas políticas do DF. De acordo com Durval Barbosa, o governo Arruda operava um esquema de corrupção alimentado por contratos emergenciais e reconhecimentos de dívidas com empresas “amigas”. Uma dessas empresas, a Linknet, mesmo com contratos vencidos desde janeiro de 2007, continuou recebendo pagamentos milionários até junho de 2009. Foram R$ 101,3 milhões em dois reconhecimentos de dívida — e, segundo o delator, com 10% indo direto para o cofre da propina.
Apesar de a defesa ainda sustentar que a decisão "não impacta na elegibilidade" de Arruda, os efeitos práticos são evidentes: o ex-governador segue inelegível e, salvo mudança legal ou nova manobra jurídica, terá de assistir ao próximo pleito do palanque dos inabilitados.
Enquanto isso, a corrida para o Buriti em 2026 vai se desenhando sem o velho conhecido da política local. Para muitos eleitores, talvez seja um alívio. Para Arruda, mais uma página amarga da sua longa novela judicial. E, ao que tudo indica, com muitos capítulos ainda por vir.